Aluno de SI escreve crônica sobre impacto emocional da tecnologia
Thiago Ribeiro reflete sobre angústia do recém-formado
por , em 11/04/2025
O nosso querido aluno Thiago Dantas Ribeiro, já formado em Análise e Desenvolvimento de Sistemas e agora calouro no curso de Sistemas para Internet, escreveu uma crônica que se destacou na matéria de Leitura e Produção de Textos, sob responsabilidade da Profa. Vanina Sigrist. Por isso foi escolhida para ser publicada aqui em nosso portal.
Assim como o Thiago, pode ser que você também se sinta um pouco perdido durante e depois da faculdade, e refletir sobre o nosso estado emocional faz muito bem. Confira a crônica abaixo, e boa leitura!
Debugando a Vida
Desde pequeno, me disseram que eu deveria ter um plano. Um roteiro, um caminho bem traçado. Como se a vida fosse um software perfeitamente programado, sem falhas, sem travamentos. Mas ninguém me contou que, às vezes, o código simplesmente não roda.
Foi o que aconteceu quando terminei meu curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas. O diploma estava na mão, e o próximo passo deveria ser claro. Mas não era. Trabalho ou mais estudos? Especialização ou experiência? E se eu escolhesse errado?
A dúvida começou a ocupar cada linha de pensamento. Eu tentava ignorá-la, mas ela voltava como um erro recorrente. Em uma dessas noites de insônia, navegando sem rumo, me deparei com um trecho da psicanalista Ana Suy. Ela falava sobre a Geração Disney, a geração que cresceu acreditando no felizes para sempre como um produto garantido. Confundimos amor com meritocracia e confundimos o par amoroso como um objeto a ser consumido, dizia ela.
Aquilo me atingiu em cheio. Talvez não fosse só sobre amor. Talvez eu também tivesse sido programado para acreditar que a vida me entregaria um desfecho perfeito, desde que eu seguisse os comandos certos. Mas a realidade não é uma animação da Disney, nem um código fechado. A vida não tem um compilador que avisa onde está o erro antes de executar. A gente só descobre rodando.
A tecnologia, que sempre foi uma ferramenta de estudo e trabalho para mim, se tornou um refúgio. Na programação, tudo faz sentido se algo dá errado, basta corrigir. Já na vida, os erros nem sempre são evidentes. Mas, pensando bem, talvez a graça esteja aí. Nos ajustes, nas falhas que nos fazem reescrever o código, nos loops que nos obrigam a tentar de novo.
No fim, percebi que não precisava de um roteiro pronto. Só precisava começar. E, como todo programador sabe, o erro nem sempre significa um fim às vezes, é só um convite para depurar e seguir em frente.
